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SALMOS 37.5

domingo, 29 de abril de 2018

As mais antigas crenças da Indonésia querem o reconhecimento oficial

JACARTA, INDONÉSIA – Originária da ilha de Java, na Indonésia, onde 
viveu na década de 70, Dewi Kanti praticava uma forma antiga das crenças tradicionais indígenas, existentes séculos antes da chegada do cristianismo,
 do budismo e do islã.
Ironicamente, observa Dewi com amargura, estas crenças tradicionais 
hoje a tornam uma pessoa marginalizada do ponto de vista religioso, no 
seu próprio país, porque o governo reconhece somente seis religiões:
 islã, budismo, hinduísmo, protestantismo, catolicismo e confucionismo.
Cerca de 90% dos indonésios são muçulmanos, o que confere aos seus líderes um prestígio político considerável
Cerca de 90% dos indonésios são muçulmanos, o que confere aos seus líderes um prestígio político
 considerável Foto: Kemal Jufri para The New York Times.


“A questão é que não existe justiça”, ela disse. “Por que estas grandes religiões
 globais podem se espalhar e ser reconhecidas, mas a religião original da
 Indonésia não pode?”
Em novembro, uma decisão histórica da Corte Constitucional confirmou os
 direitos dos seguidores de crenças tradicionais em uma demonstração de
 crescente tolerância em relação às minorias religiosas da Indonésia, a
 nação mais populosa do mundo de maioria muçulmana. Entretanto, 
cinco meses mais tarde, o governo ainda não implementou a norma.
Em um país em que a religião desempenha um grande papel na vida pública, 
os seguidores de crenças tradicionais, conhecidas em geral como ‘aliran
 kepercayaan’, esperam que a lei finalmente acabe com dezenas de anos de 
discriminação não oficial. Por causa disso, é difícil para eles obter uma 
autorização para abrir locais para encontros, licença matrimonial e acesso a 
serviços públicos, como assistência médica e educação. Além disso, constitui 
um entrave às tentativas destes crentes de ingressar nas forças armadas, 
na polícia ou no funcionalismo público, até mesmo comprar tumbas nos
 cemitérios.
Existem centenas de formas diferentes de ‘aliran kepercayaan’ espalhadas 
pelo vasto arquipélago indonésio. Em Java, a ilha mais populosa, ele
 constitui frequentemente uma mescla de animismo, crenças hindu-budistas
 e islamismo.
Calcula-se que, pelo menos, 20 milhões dos 260 milhões de indonésios 
sejam adeptos de crenças tradicionais locais, mas os números podem ser
 muito superiores. Alguns são também seguidores do islã, do cristianismo e de outras religiões principais.
A religião é tão onipresente na Indonésia que os cidadãos são obrigados a
 declarar nos seus documentos de identidade qual das seis religiões aprovadas
 eles seguem, embora em algumas regiões possam deixar este item em branco. Entretanto, este pode ser um convite à discriminação e uma fonte de 
problemas burocráticos, por isso muitos adeptos das crenças tradicionais 
simplesmente declaram nos seus documentos a religião predominante na área
 em que vivem.
Cerca de 90% dos indonésios são muçulmanos, o que confere aos líderes 
religiosos islâmicos um prestígio político enorme. Atualmente, alguns grupos
 islâmicos ortodoxos querem mudar a Constituição a fim de tornar o islamismo 
a religião oficial de Estado.
Entretanto, importantes expoentes da Nahdlatul Ulama, a maior organização
 islâmica da Indonésia, apoiam a decisão da Corte.
Arief  M. Edie, um porta-voz do Ministério do Interior, informou que a 
carteira de identidade nacional está sendo atualizada a fim de incluir o
 ‘aliran kepercayaan’ como opção no item correspondente à religião do
 cidadão. Entretanto, este não será reconhecido como sétima religião oficial 
do Estado. “Ele é reconhecido apenas como cultura, e não como religião”, 
disse Arief.

http://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,as-mais-antigas-crencas-da-indonesia-querem-o-reconhecimento-oficial,70002283717

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