Em Portugal toxicodependentes são recuperados na Tenda El Shaddai, Centro de Reabilitação de Toxicodependente
El Shaddai significa Deus todo-poderoso. E é em Deus que os Internos do Centro encontram forças para lutarem contra a dependência das drogas e do álcool. É sobre as palavras de Deus que tentam edificar uma nova vida. Uma vida diferente daquele que tiveram e que ainda sentem o gosto amargo. Tentam, por tudo, não voltar à essa vida, mas por vezes caiam de novo na vida das drogas e da precariedade.
Essa foi uma das histórias contadas por um dos Internos. Pensou estar reabilitado, deixou a Tenda e voltou à sociedade. Mas, como disse, a sociedade não estava para o receber… “quando voltei, se haviam portas que ainda estavam entreabertas pra mim essas também fecharam-se, como todas as outras que tinham sido fechadas para mim quando comecei a usar droga”.
Os caminhos que levaram os Internos para a vida das drogas são quase parecidos. A maioria tem a ver com a falta de compreensão, atenção, carinho, apoio. O amor que não receberam levou-os a refugiar-se nas drogas. Um dos Internos exprimiu com sentimento o seu fracasso – “eu deixei-me levar pela droga porque sou uma pessoa muito sensível, as pessoas me ofendem com facilidade… a falta de atenção ou uma descriminação na minha família me ofendia profundamente… e como o meu espírito é sensível e fraco caía nas drogas.
Outros motivos que apontaram por terem caído nas drogas foram influência de amigos, curiosidade, querer experimentar, falta de oportunidades. Essas estórias contadas na primeira pessoa obriga-nos, a todos, a compreender que a sociedade tem que sentir-se culpada por cada toxicodependente que estiver nas ruas. Isto porque talvez se os tivéssemos dispensado a atenção e o carinho devido não teriam motivos para se refugiarem nas drogas.
Uma lição que devemos tirar, e que foi vivamente recomendada pelos Internos, é que as drogas não levam a lugar nenhum. Aliás, como disse outro Interno, leva sim… “à prisão, ao hospital e ao cemitério”. Por isso, nós devemos encontrar estímulos para viver em nós próprios, mesmo quando não recebemos incentivos das outras pessoas, principalmente daquelas que gostamos muito. Cair nas drogas é escolher o caminho mais fácil, é aceitarmos a nossa derrota, o nosso fracasso. Devemos encontrar na autoestima, na vontade de viver e de vencer a força necessária para mostrarmos ao mundo que nós também somos especiais, nós também temos capacidade para fazer coisas bonitas e úteis para a sociedade. Existem formas saudáveis para expressarmos a alegria ou para defrontarmos com os nossos problemas sem necessidade de usar drogas. Se têm dificuldades em as encontrar, pelo menos lembram-se que El Shaddai pode ser de boa ajuda, e ajuda sempre os que precisam sem discriminar, como faz com os nossos bons amigos da Tenda.
Satisfeito com o desempenho das tendas El- Shaddai, o responsável Honório Fragata afirma que valeu a pena os anos de luta e recuperação de muitos jovens com grandes potencialidades na vida.
“Tivemos um pouco do que era muito necessário. Valeu a pena trabalhar, sacrificar e pedir as pessoas, às vezes sem respostas. Esta falta de resposta fez-nos caminhar e graças a muitas entidades parceiras já estão a formar mais de 17 jovens nas universidades de Cabo Verde e no estrangeiro. Sem contar que já temos rapazes carpinteiros, artífices, serralheiros, pedreiros e com formação noutras áreas. Uma alegria que enche e transborda os nosso corações”.
Mas a luta não pára por aqui. Fragata quer ir mais longe: “o meu desejo é melhorar o trabalho dentro e fora das comunidades, trabalhando com jovens de forma a encaminhá-los e inseri-los na família e no mercado de trabalho". "Nos meus 100 anos quero ver uma tenda diferente, respeitada e bem-vista socialmente”, diz, sorrindo.
Entretanto, o pastor nazareno avança ao asemanaonline que já está a preparar quatro sucessores. “Quero jovens com garra, que conseguem trabalhar sem pensar na reforma e sem outros interesses na comunidade para poderem fazer produzir tudo o que a tenda tem direito”.
Mais de 600 pessoas já passaram pelo centro de recuperação Tendas El-Shaddai. Muitas estão em formação, umas têm família constituída e outras não tiveram a mesma sorte porque abandonaram o centro de recuperação.
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